Tecla SAP


O Debate do Peso: Nutrição e Ironman



Matéria publicada no site www.blog.trisutto.com em Outubro de 2014.

The Weight Debate: Nutrition and Ironman
by Brett Sutton

Aperte o SAP! ;)

O Debate do Peso: Nutrição e Ironman

Fui perguntado pelo menos três vezes desde Kona sobre alguns atletas e o impacto que o peso deles, ou a falta dele, teve sobre seus pífeos resultados na prova. Embora eu não identifique os atletas publicamente em relação a essa questão, espero abordá-la de forma ampla para aqueles que têm preocupações sobre como isso afeta o treinamento.

Em primeiro lugar, deixe-me esclarecer que a nutrição e o peso são importantes para a competição. Muito importantes! Já tive o suficiente de críticas mal informadas sobre esse assunto, mas o fato é que você não treina mais de 50 campeões de Ironman* sem pelo menos uma compreensão básica das estratégias de nutrição para o dia da prova.

*Brett Sutton é um treinador de triatlo que já treinou várias campeões de triatlo, entre eles as campeãs mundiais em Kona Chrissie Wellington e Daniela Ryf, e a campeã olímpica em Londres, Nicola Spirig.

De fato, antes de Kona, eu avisei à "Angry Bird" (apelido que Brett Sutton deu à Daniela Ryf) que alguns atletas (homens e mulheres) não seriam ameaças que foram nos anos anteriores, devido a sua estrutura corporal impressionantemente rasgada, mas, na minha opinião, uma estrutura seriamente abaixo do peso.

A nutrição para o dia da prova não começa no dia da prova. O que você come regularmente durante o seu treinamento é mais importante do que você come no dia da prova.

Quando você está em treinamento para um Ironman, a falta de gordura na sua alimentação é um grande ponto negativo. Eu sei e já vi isso muitas vezes.

Ao longo dos anos, isso levou a algumas estratégias pouco ortodoxas para levar as pessoas a comer. Por exemplo, há muito tempo é relatado como eu costumava fazer Chrissie (Wellington) comer chocolates ou queijos. Eu costumava comprar dois cheesecakes de Andrew Johns por semana. Reto Hug foi outro que sempre precisou manter o peso. Mais recentemente, "Angry Bird" tweetou uma foto segurando um pedaço de queijo de 10 quilos que pedi para ela comer no momento em que partiu de Cozumel para Kona.

De forma simplista, as calorias são classificadas como "saudáveis" ou "não saudáveis", mas de qualquer forma são combustíveis que podem ser queimados. E dado o nível de treinamento que os atletas de Ironman fazem, eles precisam de muito combustível.

Agora, alguns atletas entendem o quanto isso é importante e realizam meus pedidos sobre o consumo de gordura. Outros aceitam esses pedidos porque, embora não concordem, eles percebem que "ele é o treinador e parece ter resultados". Finalmente, há alguns que estão tão desesperados para ter um "six pack" que se recusam, não importando o impacto que isso tenha no desempenho.

Então para certos atletas, quando eu sei que a luta não valerá o esforço, eu me distancio da área da nutrição e deixo que eles façam suas próprias escolhas. Alguns acabam fazendo um ótimo trabalho, outros estariam melhor se aderissem ao chocolate.

O que eu não suportarei, porém, é ser criticado por não me encaixar na visão mais "atualizada" do nutricionista sobre a "fórmula correta de comida" ou por não estar fascinado com a nova gosma de energia da estação que aumenta o nível de energia. Eles vêm e vão. E sempre será desse jeito.

A hipocrisia completa da moda dos alimentos para triatletas é melhor ilustrada com um exemplo:

Em 1991, eu costumava aconselhar muitos atletas a treinarem tendo na rotina o leite com chocolate. 1991! Como você pode imaginar, os "especialistas" da comunidade tiveram muito prazer em ridicularizar o que era obviamente o mais idiota conselho nutricional imaginável. 23 anos depois e sob a plena validação do WTC (World Triathlon Corporation), que produto é melhor para a recuperação do que o leite com chocolate? Basta perguntar aos triatletas Rinnie (Mirinda Carfrae) e Crowie (Craig Alexander).

Então eu tenho que revirar os olhos para muitos dos gurus da nutrição que aparecem sem nenhum registro de atletas de sucesso que tenham orientado, e depois me dispensam como um homem das cavernas. Isso vem acontecendo há décadas. Assim como eu reviro os olhos quando tenho que ouvir ex-atletas anteriormente bem sucedidos (agora menos) que dizem "Ele simplesmente não tem um plano alimentar." Depois de eu insistir continuamente com eles sobre a necessidade de mais gordura na dieta. Mais gorduras, por favor, apenas para ser informado: "meu nutricionista diz que você está errado e sabe melhor o que eu preciso no dia da corrida".

Eu percebo que é muito reconfortante pensar que os "especialistas" em nutrição trabalham com uma ciência exata. Que você pode deixar sua dieta da competição sob a responsabilidade deles sem ter que se preocupar mais com isso. Não é o caso. Como muitas ciências específicas, a "ciência" em si pode funcionar no laboratório, mas é totalmente falha quando aplicada ao mundo real. Existem tantas coisas interconectadas que precisam ser consideradas para alcançar o resultado desejado. O fato de o atleta estar fisicamente e psicologicamente confortável com o que está consumindo precisa ser considerado acima de tudo.

Nutrição à parte, o que é mais importante para a sua prova é o processo de tomada de decisão sob pressão. Você pode ter toda a sua "nutrição perfeita" organizada e preparada, mas por não pensar claramente sob pressão, você pode decidir passar direto por uma Estação de Hidratação na prova. Talvez você derrube alguma comida que tenha levado ou tome uma decisão precipitada porque "eu não preciso disso".

Enquanto você pode escapar ileso de erros como este em um 70.3, em um Ironman completo qualquer chance de um bom desempenho pode ser eliminada naquele pequeno instante de 10 segundos quando você estava pensando “vou ou não vou”. Se você cometer um erro com a sua nutrição, também é preciso não apenas pensar claramente, mas também ter coragem para jogar na defensiva e corrigir seu erro.

Para aqueles que um dia querem ir para Kona, aprender como ter essa mentalidade correta nessas situações é 10 vezes mais valioso do que saber o que está na barra ou gel energético.

Para concluir, fico feliz em deixar meus concorrentes falarem sobre a importância dos avanços nutricionais mais recentes, para que eles possam continuar parecendo treinadores inteligentes. Também presto pouca atenção aos doutores da nutrição que não treinam, mas vendem seus conhecimentos sobre o que é melhor para um atleta sem conhecê-los.

Mas para um simplório como eu, concentro-me em 3 coisas:

1) Treinar as pessoas para tomarem as decisões corretas sob pressão.

2) Conhecer a quantidade de calorias que você necessita por hora.

3) Garantir que essas calorias sejam comestíveis, ou seja, que haja um conforto físico e psicológico ao ingeri-las.

Eu não me importo se essas calorias são as "corretas" ou não. Eu faço o meu trabalho e garanto que, se você aderir a esses três pontos, você nunca irá quebrar numa prova.

Tradução feita pela Estagiária 449 Daniela Perna - 2º semestre/2018

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Entre 2011 e 2018 fomos Ponto de Estágio Curricular para os alunos do último semestre do Curso de Nutrição da Universidade de Brasília (UnB).

Por opção da 449 esse ciclo foi encerrado no 2º semestre de 2018.

O TECLA SAP foi uma Atividade de Estágio em que os estagiários traduziam uma reportagem sob a supervisão do nutricionista.

O objetivo era que os estagiários tivessem contato com assuntos em inglês da área de Nutrição Esportiva numa linguagem direcionada ao público em geral.

Realizamos essa Atividade durante 6 semestres (1º semestre de 2016 até o 2º semestre de 2018).









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