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Controlando o desempenho neuromuscular para prevenir câimbras



Matéria publicada no site www.trainingpeaks.com em 15 de Julho de 2016.

Controlling Neuromuscular Performance to Prevent Muscle Cramps
By Bob Murray

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Controlando o desempenho neuromuscular para prevenir câimbras

O atleta que nadou por cima das pernas de Craig "Crowie" Alexander, logo se perdeu na multidão de corpos agitados durante o início do Mundial do IRONMAN 2014. No entanto, a dor latejante de ser chutado com força na panturrilha esquerda permaneceu enquanto ele se afastava dos outros profissionais para garantir que não fosse chutado de novo. Em mais de 20 anos de corrida, Crowie foi empurrado, cotovelado, jogado e chutado em muitos começos de natação, mas nunca experimentou um golpe tão certeiro. Ele continuou a avançar e acabou reestabelecendo o ritmo inicial quando o músculo recém-ferido de repente “fisgou”. Instintivamente se curvando em direção à dor, ele alcançou a panturrilha para esticá-la, esperando o alívio que nunca veio.

Desde sua graduação em fisioterapia, Crowie sabia que existem muitas razões pelas quais os músculos podem sofrer com as câimbras durante o exercício, incluindo o trauma súbito de ser chutado. A maioria das pessoas não percebe que dois terços dos nervos associados aos músculos esqueléticos são nervos sensoriais que fornecem informações em tempo real do músculo e seus arredores para a medula espinhal e o cérebro. Esse grande feedback garante que a atividade muscular, a posição, a tensão, a temperatura e o ambiente químico sejam constantemente monitorados e ajustados.

No caso de Crowie, o dano à panturrilha provocou um tsunami de impulsos nervosos que viajaram quase que instantaneamente do músculo danificado para a coluna e o cérebro. Tão rápido quanto, os nervos motores que se estendem da coluna inferior à panturrilha começaram a disparar repetidamente, travando o músculo da panturrilha em um “nó apertado” de células musculares contraídas.

Ao contrário da câimbra na panturrilha de Crowie, a maioria das câimbras musculares associadas ao exercício (exercise-associated muscle cramps - EAMCs) não resultam de um trauma óbvio, mas das mudanças imperceptíveis que se acumulam ao longo do tempo para provocar esse grande fluxo de impulsos nervosos. Independentemente das circunstâncias da cãibra, a raiz da causa é a mesma - nervos motores hiperativos que sinalizam uma contração constante. Até que esse sinal seja interrompido, o músculo afetado é “derrubado” pela câimbra.

Como a maioria dos atletas, Crowie teve grande experiência com câimbras. "Eu tenho sofrido com câimbras no final das corridas, as vezes à poucos minutos da linha de chegada, mas também na natação e no início das corridas", explica. "Elas podem atacar a qualquer momento, paralisando temporariamente o desempenho físico e mental, e gastando um tempo crucial".

Explicando as câimbras
Simplificando, a câimbra é uma falha da função neuromuscular normal que ocorre quando os nervos motores, os neurônios motores alfa mais precisamente, disparam sinais continuamente. Sempre que um nervo motor dispara, todas as células musculares conectadas a ele se contraem ao máximo. A função neuromuscular normal durante qualquer movimento do corpo é uma sinfonia finamente orquestrada de nervos motores que ligam e desligam nos momentos certos.

Essa sinfonia é possível pois cada nervo motor possui dezenas de milhares de conexões com os nervos do cérebro, com nervos de outros segmentos da coluna vertebral, com pequenos nervos dentro da coluna vertebral (interneurônios) e com nervos que fornecem informações da contração muscular (nervos sensoriais aferentes). A soma desta riqueza de sinais determina se o nervo motor permanece quieto ou não.

Em contraste, a câimibra muscular não é uma sinfonia finamente orquestrada, mas é uma explosão esganiçada de ruído neural que faz com que as células musculares se contraiam implacavelmente. Colocar um fim rápido nessa ação neural constante requer uma ação inibitória efetiva. Alongar o músculo com câimbra faz exatamente isso, colocando tensão nos tendões musculares, e essa tensão aumenta os sinais inibitórios do tendão para a coluna vertebral que efetivamente silencia os nervos motores hiperativos, acabando com a câimbra. Alongar pode parar a câimbra, mas durante o treino e a corrida, alongar esse músculo pode ser tão efetivo quanto nada prático. Afinal, nenhum atleta quer desacelerar seu ritmo, e muito menos parar, para livrar-se de uma câimbra.

A Ciência na prevenção de câimbras
Sabemos, tanto da experiência quanto da ciência, que ocasionalmente podemos evitar câimbras fazendo todas as coisas certas como a estimulação muscular, hidratação, nutrição, ingestão de sal e rotinas de alongamento. Mas, muitas vezes, isso não é suficiente para evitá-las. Como na experiência de Crowie, câimbras podem te atingir no início de um evento, mesmo quando a hidratação, nutrição e fadiga não são fatores desencadeadores.

Pesquisas recentes sobre prevenção e tratamento de câimbras musculares identificaram uma intervenção particularmente eficaz na forma de uma formulação de ingredientes orgânicos que ativam os nervos sensoriais na boca. Certos ingredientes ativam instantaneamente os canais de íons pelos receptores TRP (transient receptor potential) que residem nas membranas dos nervos, enviando impulsos nervosos da boca para o cérebro.

Por exemplo, o nosso cérebro sente que a maioria das pimentas é “calorosa” porque os receptores TRP ativados pelas pimentas são os mesmos receptores que sentem temperaturas quentes de alimentos e bebidas. A estimulação dos canais TRP ativam uma via neural que irradia da boca para o cérebro, com sinais neurais adicionais enviados pela medula espinhal que retornam aos nervos motores hiperativos trazendo-os novamente para as funções normais.

Estudos de laboratório em seres humanos mostraram que a ativação de canais TRP com uma formulação específica de ingredientes fortes ativadores da TRP reduzem a intensidade e a duração das cãibras em duas formas: a induzida pela estimulação elétrica do músculo que flexiona o “dedão” e em câimbras causadas por contrações isométricas voluntárias dos músculos da panturrilha. Um estudo recente da Penn State (PSU) usou exercícios isométricos voluntários para produzir câimbras na panturrilha, demonstrando que as características elétricas dos EAMCs podem ser reduzidas ao consumir uma formulação contendo ativadores fortes do canal TRP. Esta é uma evidência adicional de que as câimbras podem ser prevenidas ou tratadas por esta abordagem única. Um estudo de campo com atletas de resistência, feito durante o treinamento normal desses, mostrou uma redução na freqüência e gravidade das câimbras quando a formulação era tomada de 15 à 30 minutos antes do exercício.

Curiosamente, os atletas relataram benefícios adicionais depois de consumir a formulação antes do treinamento e esses benefícios estão sendo estudados. Um desses benefícios é a redução da dor muscular pós-exercício. Na verdade, o estudo da PSU demonstrou classificações mais baixas de dor muscular nos 20 minutos após uma câimbra. E a maioria dos atletas em estudo de campo também relataram redução da dor muscular pós-exercício.

Embora sejam necessárias pesquisas adicionais para confirmar a possibilidade de que o estímulo nos canais de TRP estejam associados a benefícios além da prevenção de câimbras e dor muscular, essa possibilidade não está tão longe assim. Por exemplo, uma conexão “boca-para-cérebro-para-músculo” já demonstrou existir porque simplesmente enxaguar a boca com uma solução de carboidratos melhora o desempenho no ciclismo.

Quando os músculos estão queimando de fadiga ou dolorosamente bloqueados pela câimbra, é fácil esquecer que o sistema nervoso também é afetado. Nervos e músculos devem trabalhar em sincronia para produzir um desempenho máximo, com fadiga e câimbras sendo exemplos óbvios de comprometimento da função neuromuscular. Pesquisas futuras podem esclarecer sobre a forma como os atletas podem se beneficiar de intervenções inovadoras que dependem da conexão “boca-para-cérebro-para-músculo”.

Durante o ano de 2015, os treinos e competições de Crowie foram sem câimbras. Em 2016, o atleta de 43 anos continuou a demonstrar que a idade é apenas um número através de sua série de vitórias no IRONMAN 70.3. Crowie encontrou a fórmula certa para controlar seu desempenho neuromuscular e ampliar sua carreira profissional no topo do esporte.

Tradução feita pelo Estagiário 449 Igor Pereira - 2º semestre/2017.









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